quinta-feira, 1 de março de 2012

Genética torna músculos duas vezes mais fortes

"Nocaute genético' cria os "super-camundongos e vermes maratonistas".
Avanço poderá atrair a atenção de atletas e médicos do esporte.

Cientistas suíços usaram uma técnica de engenharia genética, chamada nocaute genético, para criar o que eles chamam de "super-camundongos e vermes maratonistas".
O enorme ganho muscular dos animais foi obtido pela redução da função de um inibidor natural, que se mostrou responsável pela força e pela resistência dos músculos.
Os cientistas afirmam que a pesquisa poderá levar a novos tratamentos para degenerações musculares causadas pelo envelhecimento ou por doenças genéticas.
Mas alertam também que os resultados poderão ser mal utilizados por atletas, naquilo que já é conhecido como doping genético.

Ativadores e inibidores
Atuando sobre um único receptor, chamado NCoR1, Johan Auwerx e seus colegas conseguiram controlar a expressão de genes que atuam sobre o desenvolvimento muscular, criando animais cujos músculos têm o dobro da força dos músculos dos animais normais.
O processo de transcrição, pelo qual proteínas são produzidas por um organismo em resposta a instruções contidas em seu DNA, obedece a dois tipos de fatores: ativadores ou inibidores.
Embora ainda não seja um processo suficientemente conhecido, em princípio esses fatores ativadores ou inibidores respondem à concentração de determinados hormônios no corpo.
Os pesquisadores conseguiram suprimir o inibidor NCoR1, que normalmente funciona dosando, ou restringindo, o desenvolvimento dos tecidos musculares.
Na falta do inibidor, os músculos se desenvolvem mais.

Supercamundongos
Os supercamundongos se revelaram verdadeiros maratonistas, correndo mais rápido e cobrindo distâncias maiores - praticamente o dobro dos animais comuns.
Exames microscópicos revelaram que os músculos dos supercamundongos são mais densos, os músculos são mais maciços e as células musculares contêm maior número de mitocôndrias, as organelas que suprem energia para as células.
Os mesmos resultados foram observados em vermes nematóides.
Quando os cientistas induziram a obesidade nos supercamundongos, eles verificaram que os animais ganharam peso sem adquirir as doenças relacionadas à condição, como o diabetes.

Efeitos colaterais
Os estudos não compararam o tempo de vida dos supercamundongos, embora os cientistas aleguem "não ter sido verificado ainda nenhum efeito colateral deletério".
Agora o grupo quer tentar descobrir formas de conseguir a inibição do fator por meio de medicamentos, uma vez que a manipulação genética não seria adequada para seres humanos.
Pelo menos não eticamente: se os resultados forem confirmados em humanos, não há dúvidas de que o avanço irá atrair a atenção de atletas e médicos do esporte.

"Será importante que as autoridades responsáveis por exames anti-doping monitorem se esses tratamentos não são usados de forma não-autorizada," alertou Auwerx.

EducaçãoFisica

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